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  • Bruno Cassaro

A consciência das limitações

"Fazes o que tu queres, há de ser o todo da Lei. O amor é a lei, amor sob vontade." - Aliester Crolwey


Para ilustrar nos permitiremos fala r um pouco sobre o Stress.

Existem diversas teorias que explicam o que é o Stress, entretanto, vamos tomar como base a teria denominada “Síndrome geral de adaptação” (general adaption syndrome), desenvolvida pelo Médico Hans Selye (1907-1982) . Para Selye, o organismo, quando violado ou atacado, se adapta à nova situação para enfrentá-la, isso gera uma momentânea elevação da resistência do organismo, porém na sequência, deve seguir um estado de relaxamento, pois apenas com descanso suficiente o organismo é capaz de garantir a manutenção da saúde (Seyle, 1976). O fato aqui, é que a cada sinal de desconforto ou perigo, nós tentamos nos adaptarmos a situação e constantemente mudamos a nossa compreensão das nossas limitações.

Entendemos, que o stress é um estado que ocorre quando o indivíduo não respeita os seus limites. O ser humano é dotado de uma excelente capacidade de adaptação. Apesar da fragilidade de nossos corpos, somos capazes de viver em lugares extremamente hostis. Nossa inteligência cria estratégias, desenvolve ferramentas e nos mantém vivos (como espécie) mesmo em situações de desolação. O grande desafio está nos momentos em que entramos em desespero, aí chegamos ao limite e temos dificuldades de pensar com clareza.

Vejamos o exemplo dos sapos, são seres que existem desde a época dos dinossauros, eles sobreviveram devido à sua enorme capacidade de se adaptar ao ambiente externo. São muito flexíveis e essa flexibilidade é a mais perigosa das suas habilidades. Veja bem se colocarmos um sapo em uma panela, destampada, com água fria e acendermos um fogo abaixo dela, conforme a água esquenta o sapo vai se adaptando a temperatura, conforme a água esquenta ele se adapta até que ele morre cozido por não ter consciência da sua limitação. Ele não percebe o perigo por se adaptar e chega a um nível de stress fatal.

Nos seres humanos o stress também pode ser fatal, mas antes nosso corpo emocional nos informa que há algo errado e não ficamos doentes. Ter consciência das limitações é saber ouvir esse sinalizador, mas nós temos outro componente antagonista, o ego.

Melane Klein[1] nos explica que o ego é uma estrutura psíquica que firma nosso contato com a realidade assim que nascemos, e então estabelecemos a jornada através dele para preservação da visão do si, garantindo nossa sobrevivência, saúde, segurança e sanidade (Klein, 1921).

Maslow (1968), discorre em seu livro “Introdução à psicologia do ser” que as experiências são importantes como meio de estudo da identidade de cada indivíduo, ele acredita que a proximidade das pessoas com as experiências é que se externam aquilo que realmente são, o seu “eu” verdadeiro.

O ego é o que permite nossas experiências. É através dele que temos a motivação para fazer nossas coisas cotidianas, assim passando por experiências, e cada vez mais aprendendo.

O ego quer sempre explicações, a fim de consolidar sua existência. (Jung, 1973)

O ego se torna um vilão quando deixamos de usá-lo para ser e passamos a usá-lo para ter. Não há nada errado em ter, mas quando ter, tornar-se mais importante do que ser estressamos (vamos ao limite) e a ambição vira ganância.

Um exemplo claro são aqueles momentos em que perdemos algo e paramos a vida, ficamos suspensos por causa do apego. Vivemos no passado e não abrimos caminho para o futuro.

Entender nossas limitações está ligado ao conceito Hindu do Dharma, que é o correto caminho. Quando você entende que aquilo está passando dos limites você não sofre e segue o caminho de maneira mais leve e coerente com sua essência. Mais à frente vamos abordar sobre a Senda Octupla de Buda. Esse compendio de conhecimento é uma simples forma de ver a vida e se compreendido corretamente, nos permite o autoconhecimento. Ele é um dos caminhos.

Sem dramatização, precisamos identificar nossos limites. Digo sem dramatização porque, não é externo, não é com choro, murmúrios e com sofrimento. É interno, dentro de você. Consiste em ouvir-se, pois quando os outros ouvem ou percebem, quando é exteriorizado, já cruzamos a fronteira do limite.


[1] Melaine Kein, foi uma psicanalista austríaca, que fez um estudo juntos aos bebes por mais de 20 anos onde elaborou a teoria Kleiniana, uma continuidade dos estudos de Freud.


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